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 .:: História de Búzios
 

No século XVI, quando chegaram os primeiros exploradores europeus à região, que era ocupada pelos tupinambás, também chamados de tamoios. Estes praticavam a pesca, a caça e o cultivo de mandioca. Mantiveram estreitas relações com corsários e contrabandistas franceses, que frequentavam a localidade para comprar pau-brasil, pimenta e outros produtos nativos.

A Praia das Caravelas ganhou este nome,  porque ali Américo Vespúcio contrabandeava pau-brasil com ajuda dos tupinambás. Os franceses, ao contrário dos portugueses, não demonstravam ambição colonial, mas apenas o desejo de comerciar.

Em 1555, Villegagnon veio fundar a França Antártica, que durou 20 anos, até os portugueses reunirem um exército que, em 1575, derrotou os franceses e massacrou 10.000 índios, dizimando assim os tupinambás.

Em 1617, os portugueses, aliados aos índios goitacás, expulsaram definitivamente os franceses da península e exterminaram os tupinambás. Proibiram a pesca em todo o litoral, de Campos a Maricá, para que a região não pudesse se sustentar de forma independente. João Fernandes, que hoje dá nome a uma praia, em 1679 teria sido condenado a morrer no tronco, apenas pelo crime de pescar nas águas de Búzios.

Em meados do século XVII, a vila foi invadida por franceses e ingleses. Foi base de piratas, ponto de tráfico de pau-brasil e de desembarque de escravos africanos. Na Praia de Manguinhos, pode-se apreciar o cais de pedra feito pelos escravos. Mais tarde, os franceses foram expulsos pelos portugueses após sangrentas disputas que acabaram significativamente a população indígena. No século XVII, a região era uma pequena vila de pescadores com cerca de vinte casas.

O litoral entre Campos e Maricá foi destinado à lavoura e criação de gado, e começou o desembarque de negros africanos para as fazendas. Em 1720, Brás de Pina montou, na península, uma armação de baleias que durou 50 anos. Quando um navio carregado de escravos escapou de um naufrágio, em 1743, esse negociante, atribuindo o milagre a Santa Ana, mandou erguer uma capela na colina entre as praias da Armação e dos Ossos.

Com a proibição do tráfico de escravos em águas brasileiras, em 1850, o desembarque clandestino floresceu. José Gonçalves, o maior traficante da região, continuou a fazer fortuna nesse deplorável comércio humano, levando a marinha inglesa a desembarcar fuzileiros navais em Búzios. Após a abolição da escravatura, em 1888, os ex-escravos fundaram uma povoação na Rasa, onde já existia um poderoso quilombo.

No fim do século, durante a guerra dos corsos, o navio Vingadores, de bandeira corsa argentina, bombardeou a costa de Búzios. No final do século XIX e início do século XX, Búzios começou a receber imigrantes portugueses que se uniram ao grupo de pescadores locais, ensinando-lhes novas técnicas de pesca. Nesse século, foi também criada a armação dos peixes de Búzios que consistia numa estrutura para capturar peixes, ocasionando então o nome do balneário: Armação dos Búzios.

Também se caçavam baleias para a extração de seu óleo, que era usado tanto para a iluminação da cidade de Rio de Janeiro quanto para exportação. Os ossos dos animais capturados eram enterrados na praia ao lado da Praia da Armação, dando origem ao nome de uma das mais famosas praias de Búzios, a Praia dos Ossos. Tempos depois, a área foi destinada para lavoura e criação de gado, sendo a pesca nesse trecho do litoral proibida. Terminada a proibição, a economia local permaneceu por longo período baseada na pesca e na agricultura em pequena escala até meados do século XX, quando surgiu uma nova atividade na região: o turismo.

Na década de 1930, Eugene Honold comprou terras por toda a península e começou a produzir e exportar bananas. Um incêndio destruiu toda a plantação e esse empresário alemão deixou a cidade. Nos anos 1950, seus herdeiros fundaram a Companhia Odeon e o lugar começou a desenvolver um turismo seletivo, preservando a antiga arquitetura.

Em 1964, Brigitte Bardot venho conhecer  e refugiou-se em Búzios, e assim a fama de lugar paradisíaco correu o mundo. A pacata aldeia de pescadores, aos poucos, foi se transformando num lugar de veraneio. No início, os turistas alugavam as casas dos pescadores. A origem do turismo em Búzios remete aos anos de 1940/1950, quando a cidade se resumia a um pequeno vilarejo de pescadores. Começou a ser apreciada por representantes das elites carioca e paulista, que fizeram surgir as primeiras casas, concentradas, até a década de 1960, nas praias de Manguinhos e do atual Centro (praias do Canto e Armação).

Esses visitantes recebiam em suas casas amigos ilustres, incluindo políticos e artistas, muitos deles estrangeiros. Com isso, a fama da cidade foi crescendo entre pessoas de classe alta de diversos países.

A silhueta topográfica de Búzios e suas praias paradisíacas, foram magnetizando seus visitantes, que voltavam a seus países contando da energia e dos encantos dessa península. No ano de 1973, a aldeia ainda se ligava a Cabo Frio por uma estreita estrada de terra, que nos tempos de chuva impedia a passagem de seu único ônibus diário. A fama de Búzios foi atraindo estrangeiros de várias nacionalidades, que se instalaram na cidade e foram abrindo diversos negócios.

Búzios era distrito de Cabo Frio e sempre teve tratamento secundário por parte dos antigos governos que, no entanto, beneficiavam-se da situação caótica da ocupação e da especulação imobiliária. A insatisfação promoveu grande movimentação em prol da emancipação, que ocorreu em 1995, dando início o município de Armação dos Búzios, ou como é mais conhecida, Búzios.

 
 
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